Diretor Ivo Moreira  \  Periodicidade Mensal
Portugal tem sido nos últimos anos conhecido e reconhecido pela enorme paixão pelos espetáculos ligados à música.  Os portugueses gostam de consumir música, de encher salas de concertos e festivais de verão. Se no final do verão de 2015 havia dúvidas de que os portugueses “respiravam” música, com as constantes confirmações de artistas internacionais desde o final de Agosto que vão marcar presença em 2016, não há margem para dúvidas.
 
Com a presença de artistas internacionais em 2016 como Adele, Muse, Justin Bieber, U2, AC/DC, Florence and the Machine ou Bryan Adams (entre tantos outros...) com espetáculos a solo, está dada a garantia de que 2016 vai ser um ponto de passagem das principais tours internacionais. A questão que me ocorre quando penso na confirmação de uma artista como Adele, a maior artista internacional da actualidade, que esgotou duas datas do MEO Arena em poucas horas e que bateu todos os records de vendas é: onde anda o velho do Restelo que fala tantas vezes do Portugal dos pequeninos?
 
O facto de sermos o ponto de entrada para a Europa faz com que grande parte das tours dos maiores artistas internacionais passe por cá, mas sem a qualidade dos nossos produtores de espetáculos, a viagem durava mais uma hora e aterrava em Espanha. A premiação constante das principais produtoras de eventos quer a nível nacional quer a nível internacional, fez com que o reconhecimento que há muito se pedia acontecesse, e que a garantia de qualidade que sempre existiu “obrigasse” as principais agências internacionais a incluírem o nosso país na Tour. A música é actualmente uma das melhores formas para mostrar o nosso País.
 

A música é actualmente uma das melhores formas para mostrar o nosso País.

 
Em 2012 com a crise económica sentiu-se uma quebra de vendas de espetáculos e festivais de verão. A estratégia das principais produtoras de espetáculos passou, e bem, por chamarem a atenção de espectadores estrangeiros com um cartaz que captasse o interesse, através de um trabalho de RP intensivo nos principais países vizinhos ligados à música internacional (Reino Unido, Espanha e França). O Turismo, outro dos sectores com mais qualidade que o nosso país oferece, foi a plataforma de entrada. Passados quatro anos percebe-se que resultou, atendendo ao facto de cada vez mais estrangeiros marcarem presença nos principais festivais de verão no nosso país. O facto do preço dos bilhetes ser dos mais baratos da Europa, do Turismo de Sol e Mar (ao contrário do Reino Unido que é conhecido pela chuva e lama) e do cartaz ser dos melhores da Europa, faz com que estejam reunidas todas as condições para que tenhamos cada vez mais público estrangeiro nos eventos ligados à música.  
 
Um dos pontos mais interessantes para analisar com a quantidade de espetáculos que Portugal vai ter em 2016 nas principais salas é a repercussão que os principais festivais de verão vão sofrer atendendo ao poder de compra dos portugueses. As escolhas são mais que muitas, mas a carteira não aumenta, infelizmente. 
 
Outro dos pontos interessantes em 2016 para analisar é a mudança de paradigma da música em Portugal. Se é ponto assente que o EDM (Eletronic Dance Music) já teve melhores dias e que o Kizomba já não enche clubs como acontecia há um ano atrás, percebemos que, e felizmente, as coisas estão a mudar. O Hip-Hop e o RnB parecem estar a voltar ao que já aconteceu no passado, refletindo-se no aparecimento e confirmação da qualidade de muitos artistas nacionais e internacionais tanto em espetáculos a solo como nos principais festivais de verão. De salientar a estreia de Wiz Khalifa e o regresso de  Kendrick Lamar em Portugal este verão.
 
A verdade é que chegamos a 2016 com uma certeza: as agências e as produtoras de espectáculos nacionais estão a trabalhar melhor do que nunca, de uma forma cada vez mais séria e profissionalizada e com a garantia que o ano que se avizinha vai ser um dos melhores anos que Portugal já viu no mundo da música, a rebentar pelas costuras.
 
Hugo Dinis Silva
Publicado em Hugo Dinis Silva
Segundo os últimos resultados do mais famoso e polémico ranking de DJs - divulgado no passado sábado, 18 de outubro - Hardwell, sem grandes surpresas, volta a alcançar o número 1 de uma listagem de 100 artistas. O DJ e produtor holandês recebe, desta feita, a medalha de “mais popular do mundo”, com Dimitri Vegas & Like Mike e Armin van Buuren a completar o pódio, no segundo e terceiro lugar respetivamente.
 
A lista tem recebido inúmeras críticas relacionadas com o desajustado posicionamento de alguns DJ's reconhecidos mundialmente, como é o caso de Carl Cox, ou pela ausência de Erick Morillo, por exemplo.
 
Pelo terceiro ano consecutivo, o Portal 100% DJ lançou o desafio a três rostos conhecidos e influentes na noite nacional para participar no Vox Pop, onde a pergunta é: "Qual é a sua opinião sobre o Top 100 da Revista DJ Mag?"
 
O nosso segundo convidado é Hugo Dinis Silva, diretor da Realize Event Lab & Booking. 
 
A Redação 100% DJ.

 
O TOP 100 da DJ MAG mudou a visão da música electrónica há alguns anos para cá. Criado em 2004, ou seja há precisamente dez anos atrás, tem vindo ano após ano a tomar uma importância bastante interessante nas áreas dos artistas, das agências e dos promotores de eventos. Um dos factores que mais ajudou foi indiscutivelmente o aparecimento das redes sociais, que fez com que estes tivessem maior visibilidade, e que a imagem fosse reforçada. 
 
Estar neste momento no TOP 100 da DJ MAG é uma razão para as agências subirem o preço dos artistas o que faz com que os promotores de eventos não tenham a capacidade financeira para suportar os custos de um artista. Se por um lado os promotores quando contratam um artista fazem uma forte referência ao lugar que este atingiu no DJ MAG, sendo uma espécie de carimbo de qualidade, por outro lado faz com que as propostas que apareçam de clubs com menor poder económico diminuam.

Estar neste momento no TOP 100 da DJ MAG é uma razão para as agências subirem o preço dos artistas (...)

 
Em Portugal e depois do último TOP 100 da DJ MAG, vai ser curioso observar como é que a WDB, a agência que mudou completamente a carreira do KURA, e o próprio artista vão responder ao 42º lugar. É indiscutível o trabalho que foi feito pela agência nos últimos anos, dando a possibilidade a um artista que há anos era DJ residente de uma das melhores casas de Lisboa, de neste momento ser para a maioria o melhor DJ português da actualidade, fazendo renascer a vontade de alguns jovens enveredarem por uma carreira como DJ de música electrónica. 
 
O resultado obtido só foi possível devido ao trabalho a médio prazo feito pela WDB. As agências são determinantes para o sucesso dos artistas, pelo trabalho de management e booking que fazem. Não é unânime o TOP 100 da DJ MAG, mas é um orgulho para todos os portugueses ter dois artistas nacionais presentes, e mais uma vez se comprova que o trabalho das agências é uma mais-valia para o crescimento dos artistas. Estes podem ter uma qualidade indiscutível, mas só com o trabalho de agências que conhecem o mercado é que é possível este resultado.
 
Hugo Dinis Silva
Publicado em Nightlife

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